Revelando a própria sexualidade

“Por favor,

Me ajude a interpretar meu sonho.
Sonhei que subia uma favela feia, passando por uma escada e chegava a um centro espírita. Era um lugar bem simples. Lá tinham pessoas dançando em circulo. Um homem de branco me explicava que eu podia dançar, mas que ninguém podia se aproximar muito um do outro para não despertar o desejo sexual… mas depois dessa dança, a cena era outra… eu estava participando de um ritual onde me era orientado que era permitido o máximo de prazer, mas tínhamos que resistir para que não houvesse penetração… de repente minha prima (falecida) me chamava para que eu saísse dali que minha mãe me chamava… eu não queria sair, pois estava gostando muito… Mas acabei indo com ela. Descia o morro e via descer uma água suja morro abaixo e eu compara ao caráter masculino… no caminho encontrava algumas pessoas do trabalho… parava e deitava na calçada (coisa de comunidade) para conversar e me assustava ao ver uma cobra amarela passar pela minha frente (tenho pavor de cobra). Daqui a pouco mais uma… e logo vinha uma cobra de mais ou menos 40 cm… roxa que vinha na minha direção… em pânico eu gritava que alguém me puxasse, pois eu congelara de medo… Na ultima hora alguém me puxava… ufa! Eu saia dali passa no aviário e comprava ovos para o almoço… Chegava ao local onde minha mãe estava: a casa que era de minha tia (tb falecida). Minha mãe cuidava da casa e minha tia estava deitada no sofá muito fraca, ja nem falava… de repente ela levantava e saia pulando e dançando pela casa como se estivesse rejuvenescida, mas olhava para ela e a fisionomia não era dela… e eu pensava credo, isso não é normal. Eu tentava alocá-la para que ela deitasse, mas percebia que era como se ela não estivesse consciente, tipo sonambulismo…. No dia seguinte volta ao centro e achava tudo muito sem graça… tinha umas mulheres de turbante sentadas pelo chão e outra na cozinha preparando algo… achava tudo chato e ia embora.”


O seu sonho sugere que, nele, você vivencia um conflito entre seus desejos e a imposição da sua consciência. A subida da favela feia ao centro espírita sugere que você vê o mundo como um lugar feio, primitivo e selvagem, sendo a espiritualidade uma saída, uma solução. Só que, quando você se depara com a espiritualidade e com o autoconhecimento, você acaba se deparando com os próprios conflitos sexuais. Como se você quisesse exercer sua sexualidade, sua voz, manifestar seus desejos e entender que você é também feita de carne, é também humana e tem vontades – mas que, por alguma razão, você não se permite fazer isso. Você tem que resistir aos impulsos sexuais, você coloca para si a ordem de resistir aos seus desejos. A cobra amarela é o símbolo do falo, é um sinal masculino. Temendo a cobra, é como se você temesse a sua sexualidade, os seus desejos e suas vontades em relação à figura masculina até num sentido literal – e também significa que você teme, num sentido simbólico, levantar a própria voz. Quando alguém te livra do perigo iminente do sexo (a cobra), você fica aliviada – e vai para o local onde sua mãe está. Com ovos. Ovo simboliza vida e maternidade, então é como se você tentasse voltar para perto de sua mãe para se proteger dos homens. Você vai para o lar, para o útero, para um local dominado pelas figuras femininas (a prima falecida que te chama, a mãe que te espera, a tia no sofá), onde você encontra aconchego para os seus receios, onde o mundo já não é tão perigoso ou selvagem (como é o mundo dos homens). Só que o seu conflito persiste: a sua tia doente é como você se sente quando se apega a valores antiquados, que reprimem, e quando ela levanta e dança, rejuvenescida e irreconhecível, é como você se sentiria (rejuvenescida e diferente) se pudesse dar vazão aos seus desejos em paz, sem a necessidade da superproteção materna/feminina – você tenta segurar sua tia como tenta conter os próprios desejos carnais, materiais, joviais. Você acha aconchegante e confortável a presença feminina, materna, mas ao mesmo tempo acha chato porque não representa realmente suas vontades – acha chato, como mostra ao retornar para o centro e encontrar mulheres cozinhando. Ao mesmo tempo, você quer a sexualidade, quer o sexo, mas tem medo disso e se convence da idéia de que o mundo dos homens é um lugar selvagem e primitivo, valendo-se de sua educação e até da espiritualidade para reprimir a própria voz e o próprio corpo.
O modo como você compara a água suja ao caráter masculino demonstra esse conflito: você quer o prazer, mas ao mesmo tempo sua consciência te chama a repudiar os homens. A dança aparece no centro espírita e a na figura de sua tia, denotando seus desejos. A sua prima falecida, representando sua criação, seu lado feminino, seu eu ligado à mãe, te convoca no meio do cenário sexualizado para dizer que sua mãe te chama – é você se reprimindo, com sua consciência.
Resumindo, é como se você dissesse que reprimir seus desejos é positivo porque você fica reclusa e segura, num mundo estável, “feminino” e “maternal”, só que você tem vontades materiais, carnais, sexuais, e luta para reprimir seus desejos. Ao mesmo tempo, você não sabe exatamente o que fazer porque seu lado mais “instintivo” coloca suas crenças em conflito. E você se perde entre a busca pelo conforto e o desejo de se arriscar. Entre a materialidade e a espiritualidade; entre o amor e o sexo.

Espero ter ajudado!

Um abraço!

Bárbara

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