Quebra simbiótica

“Olá, Carmem e Eduardo, Eu gosto muito de regressão de memória e, embora não tenha feito, tenho sonhos que remetem a isso – sei que são apenas sonhos e não memórias, pois eles mesclam elementos externos de filmes e livros que reconheço, por isso me interesso pelo seu significado. Nesses sonhos que ‘simulam’ uma regressão, eu estou numa situação que jamais viveria nesta vida – pertenço a outro sexo, a outra cultura ou mesmo a outro nível social – porque tento imaginar o quão diferentes somos em cada vida. Nas últimas semanas, tive um sonho que ‘parecia’ uma regressão (mesmo não sendo) em que eu estava usando um vestido antiquado azul e cabelos cacheados louros – primeiro me ocorreu a Era Vitoriana, depois o Dia de Ação de Graças (?). Estava em um jantar na minha própria casa (de cores claras e frias) e minha mãe dava esse jantar à nobreza local. À minha direita estava uma amiga mais velha, como um braço direito ou dama de companhia, e eu gostava muito dela; todos estávamos comendo uma comida mais simples, cheia de legumes, que eu adorava, mas os nobres estavam detestando. As mulheres, todas com vestes exageradas, não paravam de criticar o prato e minha mãe cochichou: ‘Está vendo, filha? Por que inventou de acrescentar esse prato ao menu? É melhor mandar trazer o pernil.’ Eu disse: ‘São mal-educados, mamãe; não se critica comida e muito menos em casa alheia. Que tragam a carne.’ Alguém trouxe uma terrina com o pernil e eu me levantei; lancei um olhar significativo à dama de companhia, em quem confiava, olhei para todos e disse: ‘Soube que vieram à minha casa, convidados por minha mãe e que agora não param de fazer caretas para o que oferecemos de tão bom grado. Isso é falta de educação, e ainda se dizem nobres… então querem algo sofisticado, como carne? Pois comam carne.’ Todos olhavam para a carne, aparentemente famintos, e eu virei a terrina, esparramando carne no chão, e acrescentei: ‘Condiz com quem vocês todos são. Nenhum de vocês é digno de se abrigar sob o teto de minha família, Saiam agora.’ As pessoas ficaram escandalizadas e um rapaz um pouco mais velho que eu e que era meu parente se aproximou de mim e disse: ‘Você está louca? Temos aqui um engenheiro muito importante, e precisávamos fechar negócio com ele!’ Eu respondi friamente: ‘Como pensa em negociar com gente tão mesquinha?’ Acordei rindo um pouco porque o cenário parecia mesclar ‘Alice no País das Maravilhas’ com ‘Orgulho e Preconceito’, duas de minhas obras preferidas. Abraços!”


Olá, você me parece uma pessoa refinada de gostos que se depara com um mundo nem tanto assim.

Neste sonho revela que não tem afinidades com a figura materna e que além disso, talvez neste momento de sua vida, tem a coragem de quebrar paradigmas, como se enxergasse os equívos nos quais foi criada.

Todo o aparato instrumental do sonho, detalhes de época e tudo o mais, certamente servem para demonstrar o tanto que você é detalhista e tem propriedade naquilo que fala!

Um abraço

Carmem e Eduardo

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