O Tempo

 

“Sonhei que estava no meu quarto conversando ao telefone com meu namorado, só que a toda hora uma menininha muito chata e insistente tentava entrar no quarto – eu não gostava dela. Ela era muito pequena, de uns quatro anos. Para evitá-la, eu pulei a janela e saí correndo por uma rua movimentada, com um bistrô bem bonito na esquina. A menina corria atrás de mim, por mais que eu tentasse evitá-la. À medida que eu fugia, ela crescia cada vez mais e ficava mais bonita. Tentei relacionar a menininha com uma conhecida minha que possui algum parentesco com meu padrasto, mas não tenho certeza. Quando ela cresceu, ficou loira, bonita, usando um sobretudo vinho, e finalmente me alcançou, passando por mim. Quando passou por mim, ela me encarou e disse apenas: ‘eu sou o tempo’, me acordando.”


 

Bom, eu tenho que confessar que esse sonho foi o que me deu entusiasmo para interpretar mais uma vez justamente pelo fato de ser complexo e ter muito a ver com sexualidade.

Vou começar fragmentando o sonho, e então, apenas após isso montá-lo de novo de maneira que fique bem claro.

A menina no sonho é você; sim, ela é sua identidade sexual relacionada com a figura do seu padrasto, que simbolicamente substitui edipicamente a de seu pai biológico; enquanto que você mesma (pessoa que foge) se identifica com a identidade sexual relacionada ao  pai biológico. E, claro, você tem uma sexualidade que normalmente se sente atraída por homens que suprem a figura edípica, devido a relação com a figura do pai.

O fato da menina crescer cada vez que você a contesta, é um encarceramento de seus desejos em relação à adoção da sexualidade em relação à figura do padrasto, que se revelam (seus desejos) como uma pessoa bonita, mas ao mesmo tempo enjoada e chata, ou seja, tentador mas traiçoeiro.

Por fim, o tempo, este (e que acontece raramente em sonhos) está num sentido totalmente literal, ou seja, ela é realmente o tempo, alguém à qual você se tornaria, se o tempo passar e você ceder, ou tal como alguém que você poderia ter se tornado se com o tempo você tivesse cedido.

Retomando o sonho, ele ficaria assim: “Sonhei que estava evitando a identificação edípica com meu padrasto, pois não gosto dos seus trejeitos, os quais eu acho errado. Mas que se revelam a mim mesmo assim se eu os encaro, por ser de natureza feminina, me sentir atraída por homens. E este sentimento se revela com o tempo, que passou e que ainda vai passar.”

Um sonho tipicamente edípico, com confusões acerca dos problemas inerentes à figura masculina em função de um padrasto que não agrada.

Eduardo.

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