A onda que nos arrebata

“Carmem, essa noite tive um sonho impressionante. Sonhei que estava em dois casamentos, num lugar distante, no alto, topo de algum lugar. Na minha cabeça sempre vinha o nome do Japão como esse lugar. Íamos de carruagem, eu, meu marido e meus dois filhos. Não me lembro de quem era o casamento, mas era muito pomposo. Acabei me atrasando e cheguei na entrada dos padrinhos na igreja. Eu e meu marido éramos padrinhos. Houve a festa, a despedida dos noivos e nós ficamos numa espécie de hotel. De repente, vem a notícia de uma tsunami. As pessoas, inclusive minha família, começam a fica apavoradas, mas ao mesmo tempo tenho a esperança de que ela não vá ocorrer. Estamos num lugar redondo, uma espécie de torre redonda, em que podíamos ver as nuvens, muito de perto, quase a pegávamos. Alguém narrava o que estava por ocorrer e à medida que essa narração ia ficando mais tensa, meus filhos choravam copiosamente porque não queriam morrer. Falei com eles sobre minha crença que o espírito é eterno e que jamais morre e que logo nos veríamos novamente. Ao mesmo tempo, senti uma profunda tristeza porque sabia que eu tinha escolhido aquele lugar e o tempo todo falava que se estivesse no Brasil nada daquilo teria ocorrido. De repente, de uma pequena janela me mostram as nuvens, que estavam começando a ficar bem baixas. A tempestade que veio em seguida era raivosa, poderosa. Eu pensava em como seria minha morte e ao mesmo tempo me consolava que seria rápida. E aí ocorreu uma onda e nos matou a todos. Apesar de saber da onda, não a senti. No momento seguinte, já estava em espírito, mas não havia proximidade com a minha família. Não sei se voltei para o Brasil ou se continuei lá, o fato é que sabia que estava morta, que estava em espírito, e ficava vagando. As vezes algumas pessoas me viam e era uma relação extremamente respeitosa. Passei por um lugar, à noite, e vi uma senhora na janela. Ela também me viu. Perguntei se ela queria conversar um pouco comigo. Ela disse que não e segui meu caminho. Mas não houve uma passagem e fiquei no meio dos vivos. Vagando…”


Amiga, neste sonho você fala de um desejo de transcendência e, ao mesmo tempo, de como é difícil realizar tal empreitada. Para que possamos ultrapassar os limites da matéria, precisaremos “morrer”, suportar o sofrimento inerente ao fato e, ainda por cima, ficar sem as pessoas que mais amamos, pois normalmente, elas não nos seguem na nossa jornada evolutiva e você sabe disso.

A imagem plástica com que você se refere a isso, com certeza faz parte do seu arsenal inconsciente: o Japão como o lugar mais alto e distante que conhece. E, veja como é um sonho, no lugar mais alto vem uma onda? Claro que é simbólico: representa a “coisa” externa que nos arrebata, pois não há outra forma de “morrer” senão através da natureza das coisas!

O casamento, a festa, podem estar representando as coisas mundanas, normais, nas quais as pessoas se reúnem em grupos e seguem seus rituais cotidianos por meio de “casamentos”. Mas eis que, a qualquer momento, estamos sujeitos à morte! E, embora difícil, você se consola com a crença de que é apenas uma passagem. E a faz. Passa a enxergar as coisas de outro modo, embora ainda esteja na terra!

Querendo evitar a morte física, o espírito não transcende. Neste sonho, portanto, você mostra a si mesma que deseja se libertar da matéria, mas ao mesmo tempo resiste ao sofrimento da morte.

Citando Raul Seixas, todo mundo quer ir pro céu, mas ninguém quer morrer…

Créditos da imagem: NASA Goddard Photo and Video

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